O festival de gado que eu não esperava presenciar
Tudo aconteceu rápido e de forma despretensiosa. Eu estava no café da manhã do hostel em minha primeira noite em Zurique quando uma outra hóspede comentou que nessa época do ano acontece os festivais de gado na Suíça e que inclusive naquele dia, teria um no município vizinho.
Isso já despertou minha atenção e fui logo pesquisar na internet para ver como funcionava. Com as pesquisas feitas, eu estava certa de uma coisa, queria ver aquilo de perto e não sabia se daria tempo para um bate e volta sendo que eu tinha um for comprar no fim da tarde.
Até que lembrei que na Suíça tudo é pertinho e os transportes são bem pontuais, então achei que seria um risco mínimo e lá fui eu pegar um trem com uma paisagem panorâmica que já valia pela experiência toda.
Cheguei nesse povoado que é o que eles consideram o lado rural do país. Logo na entrada da cidade você já sente como a vida é mais lenta, os carros quase não passam na rua e o transporte saia de meia em meia hora então eu tinha que ficar atenta pra não perdê-lo de volta pra cidade grande.
Quando cheguei no espaço fiquei muito surpresa com o que vi. Pensa em um estábulo gigante a céu aberto lotado de vacas decoradas com flores e sinos. Esse festival representa o fim do verão e ali acontece uma avaliação do gado mais bonito onde eles desfilam para ir embora de volta para seus pastos.
No mesmo espaço, enquanto assistíamos ao desfile, também haviam tendas montadas com comidas e cervejas locais, além de música típica.
O que mais me deixou feliz foi viver algo tão local e zero turístico. Eu era a única gringa naquele espaço e não estou dizendo isso por querer aquela experiência só para mim, mas porque vivenciar algo assim te permite realmente enxergar como as pessoas locais vivem. Tinham crianças brincando de shorts num frio que pra nós brasileiros é peculiar, mas pra eles ainda está quente. Tinham jovens tocando instrumentos que eu nem sei o nome. E cantavam lindamente. O cardápio era todo em alemão, sem opção em inglês como geralmente tem em espaços turísticos. Eu precisei usar o tradutor pra conseguir comprar um doce e uma cerveja. O local era tão remoto que nem sequer tinha sinal para pagamento em cartão. Era tudo com dinheiro vivo.
Eu amei essa experiência do começo ao fim. Ela é curtinha, dura 1 hora e 30 minutos. Mas valeu todo o deslocamento para presenciar algo tão autêntico.
Aquela menina do hostel nem sabe, mas ela fez meu dia.


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