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Viagem ancestral e a busca por familiares africanos

Atualizado: há 2 dias

Esse último mês foi de muita pesquisa para planejar a viagem ancestral da forma mais honrosa possível aos que vieram antes de mim. Já faz algum tempo que venho utilizando a plataforma do Family Search para encontrar informações de familiares já falecidos e confesso que no início foi frustrante, pois meu maior desejo era encontrar registros dos meus ancestrais africanos que tristemente vieram escravizados para o Brasil. Naquela época, as identidades das pessoas eram tiradas no momento de embarcar nos navios e muitas vezes tudo o que se tinha era seu nome original e país, anotados no braço e, quando isso se apagava - pronto - sua história estava perdida. Poucas pessoas conseguiram manter seus registros preservados por algum milagre e fico pensando que por conta de toda violência que passaram, a prioridade nem chegava a ser essa, pois a urgência máxima era sobreviver para ter uma história para contar.


Enfim, pelo menos isso foi o que pesquisei até o momento, mas também se sabe que tem muita história mal contada e perdida nesse caminho como vários registros em papel foram queimados para apagar a realidade daquele tempo. Hoje o que me resta é superar a frustração e aceitar que é quase impossível eu encontrar mais informações da minha linhagem, de descobrir de qual país da África eles vieram, mas isso não muda o fato de estarem dentro de mim.


Para você que também tem curiosidade de fazer essa busca, é possível fazer pesquisas em bancos de dados com registros remanescentes da época e se você tiver sorte e um pouco mais de informação sobre esse passado, conseguirá encontrar sua família. Tudo o que eu tenho é um nome que foi adotado quando minha tataravó era escravizada por um senhor do café em Minas Gerais, e mais nada. 


Se posso dizer de alguma felicidade, pelo menos as informações desse português, barão do café, eu encontrei facilmente na internet porque ele era um homem de poder na cidade. Chegando até ele, por ser alguém conhecido nas redondezas, achei que chegaria até minha tataravó, o que ainda não aconteceu, mas pelo menos, em um dos registros dele cheguei à informação de que costumava escolher as mulheres escravizadas mais bonitas para comprar e se deitar com elas e, por isso, tem muitos filhos por aí, nunca reconhecidos, inclusive por nunca ter se casado com nenhuma, e que também ficaram com seus registros soltos na história.


Não era o que buscava encontrar, mas querendo ou não, esse homem também faz parte da minha descendência então se o mais próximo que consigo chegar de informação está associado a ele, é nisso que vou me apegar.


Agora que investiguei bastante o lado paterno, parto para busca da história da minha família por parte de mãe que até onde sabemos são imigrantes italianos e alemães. Essas buscas vão me ajudar a definir o roteiro da viagem ancestral que começa em 15 dias. Ansiosa para este próximo passo!



 
 
 

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