Nem tudo são flores
- Bruna Ventre

- 7 de nov. de 2022
- 5 min de leitura
Atualizado: 3 de dez. de 2025
Eu fiquei 5 meses sem escrever aqui, entre o meu primeiro e segundo post do blog. Então fui reler o primeiro texto que compartilhei e tudo que eu pensava enquanto meus olhos corriam pelo texto era "é isso", "exatamente", "faz muito sentido com o que ainda sinto". Quando terminei de ler, senti que precisava explicar o que aconteceu durante esse tempo que fiquei ausente, para que ao tempo que eu fizesse um primeiro texto tão empolgada em começar o blog, na mesma velocidade, eu parasse totalmente com a ideia.
Vamos aos fatos.
Na minha chegada em Barcelona eu estava muito motivada para conhecer a cidade já que taaanta gente me falava que era muito incrível e que o sonho de qualquer um seria morar lá! Fazia um tempo que pensava em ir pois imaginava algo bem similar com o Rio de Janeiro, cidade grande mas não gigante e com praia, o que pra mim parecia o cenário perfeito. Pois bem, primeiro aprendizado, nunca coloque expectativas demais em um lugar, a culpa sempre será da sua expectativa e não do lugar em si.
Logo de cara, caminhamos (eu e minha companheira Nath) pela cidade por algumas horas em busca de oportunidade de trabalho voluntário (se você não conhece esse tipo de experiência em que troca trabalho por moradia, qualquer dia eu volto pra contar). Nós tínhamos um trabalho voluntário em um município próximo a Barcelona que se chama Roda de Barà, mas ainda assim estaríamos a 1h mais ou menos de trem da cidade e queríamos algo mais perto para facilitar fazer toda a papelada que envolve uma mudança de país.
Pois bem, batemos de porta em porta mas não encontramos nada logo de cara, então fomos para o trabalho voluntário já programado, com vários contatos no bolso para seguir tentando ao longo dos dias.
E que bom que fomos! Lá era muito lindo, um hotel pequenininho e cheio de verde de frente pra praia, onde a cada dia que eu acordava e olhava pro mar, me sentia renovada.
Ficamos ali 20 dias e o trabalho era o que já estávamos acostumadas, limpar os quartos, preparar café da manhã, lavar o quintal, entre outras coisas. Tudo isso com uma vista maravilhosa e escutando podcast Mano a Mano, que aliás recomendo demais!
Aí chegou o dia de ir pra Barcelona, conseguimos um trabalho voluntário em um hostel e estávamos super felizes por poder morar na cidade, já que a ideia era conseguir a documentação o quanto antes para poder ter um trabalho pago.
É aí que mora o perigo...
Nosso trabalho lá a princípio parecia muito tranquilo, tínhamos que fazer 2 horas de passeio de bicicleta com os hóspedes pelos pontos turísticos da cidade, o que aliás foi muito útil pra aprender sobre a história de cada lugar. Também, à noite tínhamos que preparar jantar e essa era a parte mais fácil, porque já tínhamos feito isso antes para muito mais gente, então cozinhar para até 20 pessoas toda noite era fichinha.
Eu consegui minha documentação bem rápido e aí me coloquei a trabalhar em 2 locais por dia para assim poder juntar dinheiro mais rápido e seguir viagem pela Europa conhecendo outros países. A Nath fez o mesmo. Nós duas nos organizávamos nos trabalhos voluntário e pago para fazer tudo caber no dia a dia. Tiveram uns dias que até 3 empregos eu fiz, mas logo notei que não seria sustentável e deixei este terceiro pra lá.
Nossa rotina basicamente era fazer o bike tour pela manhã, descansar um pouco até o trabalho pago da tarde e preparar o jantar à noite. Tudo isso, de segunda a segunda praticamente, por um pouco mais de 2 meses.
Com o tempo, fomos vendo que o que era para ser divertido e leve, ou seja, trabalhar para poder viajar, virou uma loucura das pesadas mesmo, não foi fácil não.
Vivíamos cansadas de fazer bike tour todos os dias embaixo do sol forte do verão europeu, não fazíamos mais muitas coisas divertidas em nosso tempo livre e quando fazíamos era muito rápido porque queríamos descansar. Estávamos sempre estressadas com a documentação da Nath que estava muito mais complicada de tirar do que a minha. Vivíamos atrás de órgãos do governo para tentar sanar a situação o mais rápido possível. E além disso tudo, não tínhamos nenhum dia 100% de folga, se não era o hostel, era o trabalho fora dele e vice versa.
Ou seja, o caos estava instalado.
Até que a situação se tornou tão insustentável que conseguimos um quarto para alugar e mudamos do hostel para essa casa. Que alívio! Agora não teríamos mais o bike tour e o jantar para fazer, somente o trabalho diário normal, eu em um restaurante vegetariano bem familiar e a Nath em um coffee shop. E o melhor, adorávamos nossos trabalhos.
Aí a vida pareceu se encaixar, porém tinha uma coisa que desde que nos mudamos para Barcelona permanecia dentro de mim, aquele sentimento de "eu não pertenço aqui". Sabe qual é essa sensação? Quando você vai em um bar e não acha que esse é o ambiente que gosta de frequentar ou conhece um grupo novo num churrasco e sente que essa não é a sua galera. Pois é, era assim que eu me sentia.
É verdade que tivemos mais tempo para nós e aí passeamos mais em Barcelona e arredores, conhecemos novos lugares, fizemos coisas que queríamos ter feito antes, mas não tínhamos tempo. Contudo, o sentimento de despedida da cidade só aumentava com o passar dos dias, especialmente pra mim que sou ansiosa, a Nath tem o dom de conseguir viver bem mesmo que não esteja 100% contente, estou aprendendo isso com ela.
E aí chegou a data de ir para o Brasil ser madrinha de casamento de uma amiga, depois de pouco mais de 1 mês tendo uma rotina mais tranquila na cidade.
Confesso que não estava triste de ter encerrado meu ciclo ali, sou muito grata pelos aprendizados e muitos deles que ainda estou processando. Foi um período de muita resiliência, pouca interação externa, muitíssima reflexão interna. Muitos altos e baixos. Muita vontade de desistir dali e sair logo pra outro canto.
Mas ao mesmo tempo eu estava em paz. Aberta para a nova fase. Aonde isso seria pós a viagem ao Brasil? Não sabia, mas ali não seria mais.
Não estou dizendo que a experiência foi ruim, nem quero parecer ingrata e mimada, definitivamente isso não retrata quem sou. É que neste texto eu queria compartilhar o porquê da minha ausência no blog e deixar claro que já tinha coisa demais acontecendo na minha vida, entre várias outras confusões que inclusive nem dá pra eu contar agora todos os perrengues que passamos nessa temporada, deixa pra outro dia.
E aí está mais um aprendizado destes 4 meses, sempre guarde um tempo do seu dia só para você e dedicado a você! Eu não deixei espaço pra manter esse cantinho da escrita que é meu refúgio e com certeza com ele por perto, as coisas teriam sido mais leves.
A Barcelona, eu encorajo você que vá sim, que visite, que ame e explore a cidade. Não tem canto no mundo que possa ser definido por uma única experiência, todos nós podemos viver coisas lindas e difíceis no mesmo lugar. Assim como me aconteceu recentemente no meu retorno em Roma, mas isso também é história para outro dia.




Sem dúvidas!
Sem dificuldades ninguém evolui. Só temos que agradecer por termos passado bem pelas que surgiram e termos saido mais fortes e seguros. Segue em frente minha amiga❤️🔥🚀